Literatura

Paula de Isabel Allende

Paula de Isabel Allende

Precisei de um tempo para recuperar o folego após essa emocionante história…

Minha curiosidade em ler esse livro remete-se há muito tempo atrás, quando ainda era assinante do extinto Círculo do Livro (tá bom, o assinante era meu pai, mas eu sempre escolhia os livros…). Sabia que era a história do drama no qual a escritora Isabel Allende, passa, após sua filha cair doente, duma rara doença. Achei que encontraria um drama, e uma história, mas encontrei bem mais do que isso.

Isabel tem um jeito muito divertido de escrever, mesmo passando por tal situação, ela não entrega-se a depressão, aliás, como sua agente já percebeu, escrever funciona como uma válvula de escape a ela. Então, quando sua filha é induzida ao coma, sua agente a aconselha que desabafe, que escreva uma história para Paula. Um pouco atordoada, ela percebe que isso preencherá os momentos em que fica sozinha aguardando o horário da visita a UTI, então começa a escrever suas memórias, pensando na hipótese de Paula acordar, e situar-se no tempo. Até então, nada sabia-se sobre quais sequelas ela teria, mas provavel que suas lembranças seriam confusas, ou nulas…

Começa contando a histórias de seus avós, e como seus pais se conheceram, seu nascimento, a separação dos pais, e fatos de sua infância… ela consegue de forma simples, abrir-se a ponto de contar detalhes, de travessuras até os mais íntimos sentimentos. A forma como a história é contada, fica leve, sem ter cara de diário, Isabel consegue situar o leitor no tempo, através de fatos históricos e políticos que acontecem nos diversos países em que passou sua infância e adolescência.

Achei muito fofa essa lenda que lhe contaram quando criança:

“Tinha me convencido de que na penumbra os personagens abandonam as páginas e percorrem a casa; eu escondia a cabeça debaixo do lençol com medo do Diabo nos espelhos e dessa multidão de personagens que perambulavam pelos aposentos, revivendo suas aventuras e paixões: piratas, cortesãs, bandidos, bruxas e donzelas.”

Talvez, isso tenha contribuído no despertar de seu interesse pela leitura, e na surpreendente criatividade que mostra: um simples fato do dia a dia, pode virar uma história fantástica, em alguns casos, ela cita que os espíritos que lhe ditam. Ela conta como nasceram os livros anteriores, como a Casa dos Espíritos, que foi uma carta que começou a escrever quando seu avô estava prestes a deixar esse mundo, e ela não podia voltar para despedir-se dele, pois estava exilada. Aliás, essa parte como ela lida com a família, foi a que mais me impressionou, são tantas cartas, que fazem inveja a qualquer leitor, como assim? Ela conta que manda e recebe cartas da mãe todos os dias, e passou esse costume a filha.

O livro divide-se em duas partes, na primeira, Isabel conta sua história como se estivesse conversando com sua filha, mas, já na segunda parte, os médicos a informam da grave lesão cerebral, e que Paula, não voltará a ter consciência, que não voltará a ser como antes, e que não tem noção nenhuma de sua existencia. Isabel, não aceita prontamente, acredita que tenha um jeito, mas modifica sua narrativa, afinal, também já estamos mais próximos do fim, e sua conexão com a filha cresce tanto, que passa a sonhar, e ter visões. Enfermeiras contam as mesma sensação, assim como o acupunturista, e as fisioterapeutas.  É estranho e bonito como eles se despedem da filha (irmã, esposa, tia), quando todos sentem que ela está partindo, a família reune-se e erguem  um brinde a sua libertação… :´-)

Eu diria que esse é o tipo de história, que durante e após sua leitura, te deixa pensando e pensando, e que não tem como não ser uma pessoa diferente. A forma como Isabel fala e trata da família dá um ar de ancestralidade que não vejo nos dias de hoje, a importância que é dada a cada momento, corriqueiro até, e como ela sempre encara de cabeça qualquer coisa, seu bom humor, atinge a qualquer um. Posso afirmar, que mudei muito com essa leitura, que me fez rir e chorar, e refletir muito sobre a história de minha vida. Garanto que, após ler Paula, e conhecer um pouco mais do estilo de Isabel, estou acrescentando em minha lista de livros a ler, todas as suas histórias.

Minha nota, é 5 com certeza.

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Besitos.

 

Criatura da área de exatas que ama ler e estudar além de esconder-se na bolha. Típico né? Apenas buscando um lugar discreto e elegante ao sol. Programadora web, leitora compulsiva, ama o belo e exótico, apreciadora de uma boa música.

  • Deve ser uma leitura impactante pelo histórico emocional que carrega. Tenho o livro aqui em casa, falta-me coragem para lê-lo. Excelente escolha!

    • Vivi, demorou!! A história é linda!!!

  • Eu também amei esse livro, e muito bonito como ela fala da família. O amor e a amizade que tem com a filha. Ótima escolha

  • Essa é mesmo uma leitura que deixa uma marca, li há muitos anos e sempre me recordo deste livro, é muito comovente. Parabéns pela resenha.
    estrelinhas coloridas…

  • Legal

  • Ainda não li, apesar de estar na minha lista mental há anos…

  • Li Castro

    Ahh, Roberta, Isabel realmente é uma grande escritora! Vale a pena ler outros dela, sim!
    Bjoos e parabéns pela resenha!

  • Não conhecia este livro, interessante sua escolha.
    Parabéns