Literatura

A cabeça de Steve Jobs por Leander Kahney

A cabeça de Steve Jobs - Leander Kahney

Confesso que meu receio em ler esse livro, foi pelo fato de já ter visto e ouvido várias biografias do Jobs em que apenas seus pontos negativos são destacados, não estava nem um pouco com vontade de ler uma biografia desmotivante, MAS, o autor teve a excelente idéia de avisar logo no início, que ele faria uma abordagem diferente, que sim, Jobs tem lá seus defeitos e esquisitices, mas, quem não tem? O foco do livro então, é apontar para o cara que conseguiu dar a volta por cima, levantar uma produtora desconhecida, e transformá-la no que hoje conhecemos como Pixar (a produtora do Toy Story), foi vendida para a Disney, mas o controle continua debaixo de sua equipe. Recuperar a Apple que estava há 6 meses duma falência eminente, enfim uma pessoa assim, não pode ter apenas pontos negativos.

Bem, comecei falando da Pixar, mas todos sabemos que Jobs é a Apple, ele a criou, idealizou, e amou tanto que acabou se excedendo, e para não ser expulso, saiu, deixou a nas mãos de outros. Tentou criar outra Apple, desta vez com o nome de NeXT, mas não foi a mesma coisa, pouco vendeu, mas seu software chamou a atenção da própria Apple, que por ironia, acabou comprando bem quando estava prestes a falir. Todos sabiam disso, não precisaria de muito, para saber que o velho Macintosh estava com seus dias contatos, a Apple era apenas uma maçã mordida e nada mais. Nesse momento, não defini ainda de quem foi a estratégia ‘maliciosa’, se de Jobs, querendo voltar colocou seu produto a venda, ou se a Apple, querendo o de volta, pagou com ações, fazendo assim que seus interesses ficassem amarrados…

Gostei da forma como Kahney expôs toda a trajetória da volta de Jobs a Apple, e algumas das estratégias usadas, ele não coloca Jobs em pedestal  algum, mesmo porque, alguns dos defeitos são tão evidentes, que não tem como ocultar. Ele mostra Jobs com um cara apaixonado pelo que faz, que quer deixar sua marquinha no Universo, um vegan que não suporta que usem sapatos de couro, detalhista, que fala sem medir palavras… Ele é apontado por alguns ex-funcionários como ‘um mal necessário’, como o cara que consegue extrair da pessoa o que ela pode oferecer de melhor, e não mede esforços para isso.

“Ao longo de sua carreira, Steve Jobs motivou funcionários, atraiu desenvolvedores de software e cativou compradores invocando um chamado superior. Para ele, os programadores não trabalham para criar programas fáceis de usar: estão tentando mudar o mundo. Os clientes da Apple não compram Macs para trabalhar em planilhas: estão tomando uma posição moral contra o monopólio
maligno da Microsoft.”

A leitura é tranquila, a abordagem é voltada ao público de administração, por causa das ‘lições’ resumidas ao final dos capítulos, mas nada impede uma leitura sem compromissos… Não fiquei com vontade de consumir seus produtos, mas causou uma boa impressão, aliás, acho que pela febre do momento, não é necessário um livro para isso… 😀

Minha nota é 4, por que acho que o autor correu um pouco no final, e se perdeu em repetições, mas isso, foi nos últimos 2 capítulos. (ao todo são 8).

Até mais

Criatura da área de exatas que ama ler e estudar além de esconder-se na bolha. Típico né? Apenas buscando um lugar discreto e elegante ao sol. Programadora web, leitora compulsiva, ama o belo e exótico, apreciadora de uma boa música.

  • Sabe até que achei o Jobs bem simpático. As pessoas estão acostumadas aos falsos bonzinhos, prefiro os verdadeiros malzinhos….rsrs

    Bjs Adorei sua resenha.

  • Tenho o interesse em ler a biografia. A temática é atual e, por isso, parece nos manter envolvidos durante a leitura. Ótima resenha!

    Bjs

  • Ótima resenha, gostei demais do tom de análise da obra mesmo, tenho visto resenhas de pessoas que veneram o Jobs se perdendo um pouco ao falar do livro em si.
    Acho tão curioso o fim dessa citação: “estão tomando uma posição moral contra o monopólio maligno da Microsoft.” Eu não me senti assim não, depois de um tempo usando um Mac me senti refém da apple, me desfiz dele e hoje sim tenho uma posição contra qualquer tipo de monopólio hehehehe…. Mas mesmo com essa opnião não há como negar a incrível paixão que o Jobs emana, ele é batalhador, criativo e visionário.
    Parabéns pela resenha.
    estrelinhas coloridas…

    • É verdade, é ironico esse posicionamento, mesmo porque, sempre estão lado-a-lado, foi a Microsoft uma das primeiras que ele procurou para fazer o acordo de continuarem fazendo a adequação do Office para o Mac, quem não aceitou foi a Adobe.
      Essas ‘intriguinhas’ devem fazer parte de alguma estratégia, para o cara que comprou um Mac, se sentir diferente, especial, coisas do gênero, srsrsrsrs….
      Obrigada, beijos