Literatura

O Mago de Fernando Morais

O Mago de Fernando Morais

Este livro fez-me lembrar o quanto não curto ler biografias, bem, na verdade, até gosto de ler histórias de pessoas de verdade, mas não com esse tipo de escrita, fixando datas, jogando muitas informações de uma vez, um tanto quanto cansativo. Tem que gostar muito da pessoa para seguir a leitura, o que foi o caso…

Lá pela metade do livro (e olha que demorou, já que o livro tem pouco mais de 600 páginas) comecei a me agradar um pouco mais da leitura, afinal, o Mago estava crescendo. Tenho que dar um crédito a Fernando Morais, pois contar a história (conturbada) de uma pessoa como Paulo Coelho, que hoje é conhecido no mundo todo (pelo menos uma grande parte), não deve ser tarefa fácil, qualquer deslize, poderia colocar em risco seus 3 anos de pesquisa. Não gostei muito a forma como ele palpita no meio da história, pois  a meu ver, a proposta de trabalho dele é uma biografia  e não memórias, consegue-se relevar essa parte.

Um dos trechos que mais gostei, não foi dito pelo Paulo, mas pelo Raul, numa época em que ainda não eram amigos, ele disse isso após passar na Faculdade de Direito, entre os primeiros colocados:

“Eu só queria provar às pessoas, à minha família, como era fácil estudar e passar em exames”.

Algumas passagens são impressionantes, a montagem do livro contém além de fotos, imagens dos originais. Paulo costumava escrever diários, e alguns trechos são replicados no livro, aliás, esse diários deveriam ser queimados logo após sua morte, mas, o Fernando Morais conseguiu por outros meios.

Paulo desde pequeno tem a idéia fixa de que nasceu para ser escritor, sempre foi mal na escola, e ao ganhar um concurso literário, só pode imaginar que esse era seu dom, desde então, começou sua produção, entre peças que foram destruídas após sua criação, poemas, contos, e suas memórias em seus diários. Uma criança carinhosa, que sofria de asma e da frieza dos pais, que tornou-se um adolescente rebelde e um jovem desvairado, sem se importar com nada. Toda sua vida, virada do avesso, bem, talvez essas histórias do passado esclareçam por que tantos o odeiam, mas ao mesmo tempo, gosto de ler esse tipo de história, com uma reviravolta no meio do caminho, e que de repente o mocinho começa a se dar bem e ser feliz. 🙂

“A explicação para terminar o colégio numa escola sem tradição de qualidade e passar em três vestibulares estava também no apetite literário de Paulo. Desde que iniciara a anotação sistemática de suas leituras, quatro anos antes, lera mais de trezentos livros, ou 75 por ano – número estratosférico considerando-se que cada brasilerio lia em média, na época, um único livro por ano.”

Ele além de anotar suas leituras, escrevia sobre suas impressões, o que havia achado e ao final pontuava com estrelas, fato esse que irritou alguns críticos, pois Paulo distribuia estrelas sob seus critérios. (Nossa, fiquei muito feliz com essa parte, pois não faz muito tempo ouvi uma pessoa fazendo crítica parecida, o que tinha me chateado bastante…). Acho essa parte, importante, pois é um pouco do que fazemos no desafio literário, a diferença é que dividimos com outras pessoas essas nossas impressões, que são tão particulares. É importante entender que eu posso amar uma leitura, enquanto outro ser, ache que não não valha a pena. Isso é muito particular!

Apesar de ter achado a leitura cansativa (minha vez de distribuir estrelinhas), eu gostei da seriedade como contou a história, e mesmo com algumas opiniões no caminho, as mesmas não interferiram na opinião que o leitor poderia formar. Um 4 está de ótimo tamanho, como disse anteriormente, não deve ser fácil escrever sobre uma pessoa tão conhecida, amada e, principalmente, odiada.

Ufa, continuo fã… o/

Criatura da área de exatas que ama ler e estudar além de esconder-se na bolha. Típico né? Apenas buscando um lugar discreto e elegante ao sol. Programadora web, leitora compulsiva, ama o belo e exótico, apreciadora de uma boa música.

  • Bacana a sua resenha! As vezes, essa questão de se fixar datas e etc…seja uma particularidade da escrita do escritor e não do gênero. Gostei da colocação das notas ao final da resenha. De fato, a menção referenda apenas o gosto e preferência particular do participante. Não é uma menção de qualificação da obra. Bela participação! =D

    Beijos

  • L.

    Este livro estava na minha lista de opções de leitura, acabei ficando com outro de Fernando Morais (Olga) talvez encare no próximo desafio. 🙂
    Achei a leitura de Morais gostosa justamente por ser leve e desencanada de datas e vejo que neste livro ele foi um pouco diferente,né? Vou pensar bem, mas quem sabe não arrisco…

    Boa resenha.
    ;*

    • Que bom que ele usa vários estilos, acredito que Olga seja uma leitura mais pesada, portanto ele aliviou na maneira de repassar sua história. Já no caso de O Mago, ele tinha em mãos váaaarios diários, então, seu trabalho maior foi compilar tudo isso (creio eu), e por isso ele tenha usado com suas respectivas datas. Tem outro porém que não tinha pensado, Paulo Coelho é muito ligado a astrologia e sinais, então por isso Fernando colocou essas coincidências nas datas (coisa que eu nem lembrava mais quando tinha acontecido) ele coloca como sendo um sinal na vida de Paulo, essa parte, eu acho que ele tentou mitificar mais ainda o Mago.
      Valeu pela visita!!