Literatura

O pagador de promessas de Dias Gomes

O pagador de promessas, Dias Gomes

Francamente, estou surpreendendo-me com o desafio deste mês. Anda tão divertido! Bom menos mal, e juro que achei que seria o mês que mais sofreria.

O pagador de promessas, escolhi por ter uma vaga lembrança de infância de uma minissérie, mas é muito vaga mesmo, nem do final lembrava, acho que todo mundo sabe o final, mas se não souber, já te digo: você o deduz na metade da leitura. O que não considero empecilho, já que por ser uma leitura rápida e dinâmica, você acaba parando apenas quando as cortinas baixam pela última vez. Eu adorei, é divertido, trágico, mas não deixa de ser cômico. Dias Gomes soube dosar direitinho o teor de cada personagem, talvez uma crítica sutil a alguns padrões e imposições da época. A história em si não tem caráter de fanatismo, nem tem pretensão de induzir o público a fazer ou não fazer promessas, ela mostra a inocência sendo adulterada, na figura de Zé do Burro, que faz sua promessa sem maldade, sem expectativas, apenas tem o intuito de pagar o que prometeu, não importa a quem (Santa Bárbara ou Iansã). A cada personagem que se aproxima, ele conta sua história, e cada pessoa faz uma interpretação diferente. Óbvio que a mais criativa e que não tem naaaada a ver é a do jornalista, que encontra objetivos políticos no meio da história inofensiva de Zé. Que estigma é esse que os jornalistas sempre são apresentados como deturpadores da verdade? (Tá, deixa isso prá lá!)

Esse trecho, é justamente a parte em que o repórter está falando que o jornal vai pagar o retorno deles, e que está se incumbindo dos fogos, e está tratando de tudo:

ROSA: A volta vai ser hoje mesmo.

REPÓRTER: Hoje?! Mas não dá tempo!… Não está nada preparado… O que é que a senhora pensa? Que é assim tão simples organizar uma promoção de venda? É muito fácil pegar uma cruz jogar nas costas e andar sete léguas. Mas um jornal é uma coisa muito complexa. Mobilizar todos os departamentos para dar cobertura… e depois, eu já lhe disse, amanhã é domingo, não tem jornal!

Recomendo a leitura, mesmo porque é super rápida, é só pegar uma volta do trabalho com o trânsito de São Paulo. Foi assim comigo. A parte difícil, é falar sobre a história sem entregar a graça de bandeja. Leia! Aproveite! É super divertido, rende uma risadas, tem boas tiradinhas, e o final deixa uma tensão bem gostosa (mesmo que você o saque no meio). Releio fácil !!

Minha nota é 5.

Beijos e até a próxima!!

Criatura da área de exatas que ama ler e estudar além de esconder-se na bolha. Típico né? Apenas buscando um lugar discreto e elegante ao sol. Programadora web, leitora compulsiva, ama o belo e exótico, apreciadora de uma boa música.

  • Muito boa sua resenha!!! O livro deve ser bom mesmo, Dias Gomes foi um grande dramaturgo!!! Parabens pela escolha.

  • Resenha nota dez. Dá vontade ler agorinha. Bacana você dizer que o DL está sendo divertido. Tenho notado isso, os participantes estão mais compromissados e se divertindo melhor…=D

    Beijocas

  • L.

    Olha só! Que resenha ótima!
    Tivemos opiniões diferentes sobre o livro, acho que tem muito a ver com momento que a gente lê as histórias,né? Quero reler Dias Gomes em outra ocasião e ve-lo sobre outra perspectiva!

    Vou recomendar (quem sabe um dia) que leia O Guarani, quem sabe você não gosta? 🙂

    Beijo

    • Primeiramente, obrigada!! 😀
      Ha, aceitarei a sua sugestão quanto ao Guarani… um dia, quem sabe um dl_2012, srsrsrs… (eu devo ter ficado traumatizada com a minissérie, mesmo não tendo assistido!)

      E com certeza, nossa percepção de leitura vai de acordo com nosso momento… por isso, quando posso, deixo o livro de lado até dar aquela vontade louca de ler… Claro, com alguns, a leitura “pega no tranco”, mas com outra, é impraticável…

      Bjus