Literatura

Dragões de Éter (Vol. 1 – Caçadores de Bruxas) de Raphael Draccon

Caçadores de Bruxas, de Raphael Draccon

Resolvi encabeçar este mês a leitura da trilogia Dragões de Éter, tendo como seu primeiro volume o Caçadores de Bruxas. O livro data de 2007, então nem tão novo assim, mas como eu apenas o descobri ano passado, coloquei-o nessa categoria “novos autores”.

Demorei um pouco a entrar neste novo mundo. Assim que li o prefácio resolvi respirar fundo e encarar a realidade que parecia reinar na história: bruxa é . Ok, tentei relevar isso para manter-me imparcial, tentando curtir a história e não a suposta mensagem que imaginei. E parti para uma inocente jornada, apenas com a intenção de apreciar a paisagem…

Ainda no prefácio, percebi que ele criou um mundo paralelo, onde as pessoas não acreditam nem cultuam deuses, pois esses se afastaram há muito tempo das pessoas. Nesse mundo, eles preferiram seguir os semi-deuses, pois esse sim estavam ali e podiam realmente ajudar, bastava chamar, não eram sonhos. Os filhos dos deuses podiam ser tocados e podiam ajudar diretamente um “etheriano”. Aqui vale uma boa pausa para reflexão.

A história é contada a maneira dos bardos, imagine-se em volta a uma grande fogueira, vários amigos, e ali, como centro das atenções o contador de histórias, que conversa com você, que abre paralelos, explica-se, deixa assuntos para depois… enfim, no início, achei um pouco cansativo, eram muitas informações, e não estou exagerando não! Precisei de várias pausas para tomar folego e assimilar coisas. A parte boa, é que essa sensação vai embora, e depois você não consegue mais desgrudar do livro para sabe logo o desfecho.

Óbvio que comecei a adorar quando começa a explicação de que existem bruxas boas (minha querida Sacerdotisa sempre ressalta: bruxa é substantivo e não adjetivo!). Nesse momento notei algumas divergências com relação aos rituais e luas correspondentes, mas não sei dizer se seriam erratas, já que como estamos em outro mundo, com apenas 5 dias da semana. Vai saber se nova Ether não é o tipo de planeta que possui 2, 3, 4 luas…. Pensa na maravilha que ia ser fazer lunação com 4 luas!! (Estou viajando aqui, relevem!!)

“Ambas já haviam explicado à menina o que ela deveria fazer e estavam ali apenas após pedir a permissão da Criadora para isso. A vassoura já havia sido usada para limpar as energias negativas do local. Um pouco de sal foi salpicado no círculo pela menina. Ela já havia entendido que ele simbolizava o elemento terra.”

Esse outro trecho parece um tapa na cara (ou pelo menos deveria!)

“Quantos inocentes também não pagaram pela guerra que fora sua Caçada de Bruxas. E se as mães imploraram e juraram inocência fossem realmente inocentes? E… pelos semideuses… as crianças… semideuses, as crianças… que o Criador o perdoasse se tudo fosse uma falha sua. E quantos crimes não averiguados, e quantos soldados indignos da farda, e quanto abuso de poder nos guerreiros envolvidos?”

Esse é o tipo de livro que possui várias entrelinhas no meio, e fica a critério do leitor enxergá-las ou não. São questões dos dia-a-dia que acabam sendo levantadas e às vezes debatidas na história, mas que cabem perfeitamente e nosso mundo, e nossa “realidade”… Vale a pena a leitura, vale a cada pausa para reflexão.

Pense assim, tomando cuidado para não entregar a história. Lembra-se das perguntas que sempre quiz fazer a respeito de um ou outro conto de fadas, mas nunca teve coragem, ou, se as fez, nunca obteve uma resposta plausível?? Então, creio que Dragões de Éter é maravilhoso para dar asas a sua imaginação!!! Eu por exemplo, nunca me conformei em tirarem a vovozinha viva e inteira de dentro de um lobo faminto e, diga-se de passagem, com dentes enoooormes…. 😀

Minha nota é 4 (1-5). Leia! Vale a pena!

Autor: Raphael Draccon
Editora: Leya
Número de páginas: 438
Ano de publicação:  2007

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Partindo para o próximo volume: Corações de Neve. o/

Fecho aqui com o dragãozinho da série, mas adoraria que tivesse encontrado uma imagem da águia-dragão Tuhanny.

Criatura da área de exatas que ama ler e estudar além de esconder-se na bolha. Típico né? Apenas buscando um lugar discreto e elegante ao sol. Programadora web, leitora compulsiva, ama o belo e exótico, apreciadora de uma boa música.

  • Na fila para empréstimos!!!

  • Que bom que a leitura valeu a pena. Não conheço a série. Não está dentre os meus estilos preferidos de leitura. Mas a resenha tá danada!

    Beijocas

  • Li Castro

    Menina, ando louca para ler esta trilogia! Já li, não lembro em que site, os primeiros capítulos deste primeiro livro, e achei mega interessante!!
    Me tire uma dúvida Roberta, os outros dois não são romances tbm, né?! No submarino eles estão na categoria “contos” aí fiquei torcendo o nariz!

    Bjoos e muita boa resenha!

  • Li Castro

    Corrigindo: os outros dois são romances tbm, né?! A pergunta saiu errada… rsrs

    Bjoos

    • Olha, eu comprei o box do submarino, nem li esse detalhe… mas eu estou no meio do segundo, e posso te garantir que não são contos… Eu estou adorando…
      Bjus