Literatura

Os trabalhos de Hércules de Agatha Christie

Demorei mas finalmente peguei um Agatha Christie para ler! Tudo bem, eu sei que a proposta inicial do projeto é ler na sequência, mas, quer saber? Eu tinha que ler esse!! Precisava!! Faz parte da imersão do curso que estou fazendo (que eu me coloquei e não o curso!). Alguém notou os trabalhos de Hércules aparecendo aos poucos por aqui? Ahnn?

Já que estamos explicados (e entendidos), vamos ao livro em questão: Os trabalhos de Hércules. Pelo que ouvi falar desse livro, que foi publicado em 1947, seria uma tentativa de aposentar Poirot, coisa que de fato acabou não acontecendo, sendo que a “aposentadoria” definitiva ocorreu bem depois em um de seus últimos livros Cai o Pano. Em Os Trabalhos de Hércules, Agatha faz uma releitura policial dos Doze trabalhos do herói grego Hércules. Claro, seu herói na história, o minúsculo e bigodudo Hercule Poirot não possui nenhuma imagem (nem corpo) de herói grego, mas, sua inteligência e lógica tiram de letra qualquer músculo. Ele impõe-se o desafio de cumprir 12 pequenas tarefas antes de aposentar-se, tarefas dignas de um Hércules, e assim, inicia o crivo para encontrar e aceitar a tarefa hercúlea.

Tudo começa numa conversa descontraída, e assim começam a aparecer os casos. Eu nunca havia lido contos de Agatha, me supreendi, não diria que adorei, pois o fantástico dos livros dela é deixar a curiosidade a flor da pele até os últimos capítulos (ok, sei que nem sempre isso é regra, mas… ) e, quando me deparei com um conto, espantei-me com a agilidade em que tudo acontece. Sabe, não dá para devanear no meio da leitura, ou você presta atenção, ou você boia gostoso. Bem do tipo: “o que? Não morreu? Mas e fulano?” – enfim, acostuma-se.

A referência ao mito como pano de fundo, deu um certo charme a história, e acaba sendo uma boa maneira de agregar valor ao estudo. É importante enxergar as entrelinhas, por exemplo, o primeiro trabalho, que é matar o leão da Neméia, ser representado por um pequinês não deve ser visto apenas na aparência, mas da ideia de que o cão consegue ser imperceptível aos olhos de alguns. A melhor representação para mim, e foi quando a ficha caiu mais rápido quanto ao uso figurado dos mitos, foi quando a hidra veio representada pela fofoca. Imagine, não tem representação melhor do “corte uma cabeça e nascem duas” ! Uma fofoca é assim, tem que eliminar a cabeça imortal para conseguir vencê-la. E nesta mesma linha são tratados os demais mitos. Alguns chegam a obviedade, mas nada trágico, e assim, sendo, creio que Agatha cumpriu seu objetivo e Poirot o seu desafio. Cheguei ao final tranquila e no dia seguinte queria outro conto. E assim Agatha em sua releitura dos 12 trabalhos nos brinda com uma leitura leve, descontraída e com gostinho de quero mais.

“Não são as horas de trabalho de um home que importam – são suas horas de lazer. Esse é o erro que todos nós cometemos. Veja você, agora; está ficando velho, vai querer se afastar das coisas, ficar mais tranquilo – e o que é que vai fazer com as sua horas futuras?”

“Hercule Poirot, sacudido de um lado para outro no metrô, atirado ora contra um corpo, ora contra outro, refletiu que havia gente demais no mundo! Por certo, havia gente demais no metrô de Londres naquele exato momento (6.30 da tarde). Calor, ruído, aperto, proximidade – a desagradável pressão de mãos, braços, corpos, ombros!”

E de imaginar que em 1947 o metrô já tinha seus horários desagradáveis. É, tudo igual, só muda o lugar. Espero voltar logo mais mais livros do Projeto Agatha Christie. Vou seguir a ordem agora, pois por enquanto não tem nenhum me chamando.

Minha nota é 3 (1-5).

Beijinhos

 

Criatura da área de exatas que ama ler e estudar além de esconder-se na bolha. Típico né? Apenas buscando um lugar discreto e elegante ao sol. Programadora web, leitora compulsiva, ama o belo e exótico, apreciadora de uma boa música.