Literatura

O Lobo da Estepe, de Hermann Hesse

O Lobo da Estepe, de Hermann Hesse

Sim, pense num livro legal de ler, mas confuso, muito confuso, me senti ouvindo um debate sobre o filme A Origem. A história começa sendo contada em terceira pessoa, por alguém distante, cuja visão do lobo não passa de suposições. Assim que finaliza sua apresentação, ele apresenta-se como editor, e diz ter encontrado os seguintes manuscritos, e então, começa a história contada pelo próprio Lobo da Estepe, um cara meia idade, infeliz de tudo. São suas anotações que dão agora o rumo do leitor, e então entendemos por que se auto denomina Lobo. E aí, quando você, o leitor, acha que sacou a ideia do escritor “ah, mas claro, um conta a história de fora, e depois o próprio personagem conta sua versão”, ahan, tá, senta ai que tem mais! No meio de suas divagações, o Lobo anexa um manuscrito que lhe foi entregue, e esse manuscrito chama-se “o tratado do Lobo da Estepe”, e assim que nosso mocinho o lê se identifica absurdamente com todas as descrições, chegando a neura de achar que escreveram a história dele. Nesse momento sua história toma outro rumo, e eu diria, que começa pela terceira vez. 😀

Sabe, parece meio cheio de voltas e reviravoltas, passando uma impressão talvez não muito interessante, e aqui, eu dou uma paradinha para colocar um “mas”…. Eu gostei da forma como foi contado, com um livro na mão, você consegue ficar confuso, não saber em que momento está, e mesmo assim, consegue prender-se a história a ponto de querer continuar para saber o seu desfecho. Atrasei com a leitura (era para ter entregue em outubro) mas, sabe, acho que valeu muito a pena essa degustação pausada, acho que não teria aproveitado como aproveitei se tivesse lido muito rápido. Achei a pausa necessária, já que com ela é o momento que nos resta para uma pequena meditação e reflexão do “onde estamos, quem sou eu, pra onde vou…”

“Era realmente um Lobo da Estepe, conforme ele próprio, às vezes, costumava chamar-se: um ser estranho, selvagem e, ao mesmo tempo, tímido muito tímido mesmo, pertencente a um mundo bem diverso do meu.”

“Não sei que prazeres e alegrias levam as pessoas a trens e hotéis superlotados, aos cafés abarrotados, com sua música sufocante e vulgar, aos bares e espetáculos de variedades, às Feiras Mundiais, aos Corsos. Não entendo nem compartilho essas alegrias, embora estejam ao meu alcance, pelas quais milhares de outros tanto anseiam.”

“Um dos signos do Lobo da Estepe era o de ser um notívago. A manhã para era para ele a pior parte do dia, causava-lhe temor e nunca lhe trouxera nada de bom. Nunca fora alegre em qualquer manhã de sua vida, nunca fizera nada de bom na primeira metade do dia, não tivera boas ideias, nem divisaram nenhuma alegria para ele ou para os demais.”

“Não.; para dançar era necessário possuir-se faculdade que me faltavam por completo: alegria, despreocupação, inocência, ímpeto. Já pensaram nisso outras vezes.”

Nota? Aqui, a essa altura? Eu hein… Tá, vou tentar, fico com 3, apesar de alguns trechos merecerem 5 e outros um 2. 😀

Autor: Hermann Hesse
Editora: Record
Número de páginas: 247
Ano de publicação:  1927

Fica a recomendação. Vale a pena degustá-lo com paciência, tranquilidade, sem pressa alguma. E talvez, acabe encontrando um Lobo da Estepe perdido aí em alguma entrelinha perdida em seus pensamentos.

Beijinhos

Criatura da área de exatas que ama ler e estudar além de esconder-se na bolha. Típico né? Apenas buscando um lugar discreto e elegante ao sol. Programadora web, leitora compulsiva, ama o belo e exótico, apreciadora de uma boa música.