Literatura

Como água para chocolate, de Laura Esquivel

E continuando com o Desafio Literário 2012, transcrevo aqui as minhas impressões dessa leitura: Como Água para Chocolate. Bem, pelo tempo que enrolei para escrever, acho que uma ou duas semanas, acho que já dá para se ter uma ideia.

A leitura agrada, chega a ser engraçadinha em alguns momentos, é quente, aliás, tem todo o calor latino que espalham por ai, e achei até interessante que minha outra leitura citasse esta. Talvez mais cômico tenha sido por imaginar que alguém tenha tentado fazer as receitas romanceadas neste livro.

A história está separada em doze capítulos, cada capítulo corresponde a um mês, mas a história não segue essa cronologia, ela não se passa em um ano (como eu imaginei vendo o índice), cada capítulo é aberto com uma receita, ou parte dela, e todo seu “modo de fazer” é descrito no meio do capítulo, rodeado pela história. E digo: a forma como isso foi intercalado no texto é divina! É como poetizar uma arte que foi banalizada por tanto tempo, o resgate da culinária sendo elevado a algo poético, que poucos enxergam. A mocinha da história. Tita, transpassa para suas receitas todas as suas emoções, e assim, atinge a todos que dela degustam. Ah, claro, que nem sempre isso é bom, pois nem sempre ela se encontra feliz. Assim como temos os mais diversificados ingredientes: lágrimas, sangue, saudades, amor, ódio…. Por isso achei engraçado quando Julie Powell cita que fez uma das receitas, a receita leva rosas brancas, mas as mesmas ficaram vermelhas ao serem despetaladas, pois os espinhos machucaram tanto que acabaram sendo tingidas.

Todo o enredo, a meu ver, foi um grande clichê, a mocinha sofre desde o princípio, é virtuosa, a mãe não a reconhece, aponta apenas defeitos, nada está bem, e esse desenrolar é o que mais  me irritou, não curto esse tipo de amor-sofrimento, e depois, para chegar no final… bem, deixemos final para lá, quem curte dramalhão mexicano, é um prato cheio!

“A minha avó tinha uma teoria muito interessante, dizia que embora todas nasçamos com uma caixa de fósforos no nosso interior, não os podemos acender sozinhos, precisamos, como na experiência, de oxigênio e da ajuda de uma vela. Só que neste caso o oxigênio tem de vir, por exemplo, do hálito da pessoa amada; a vela pode ser qualquer tipo de alimento, música, carícia, palavra ou som que faça disparar o detonador e assim acender um dos fósforos.”

Nota 3 (1 – 5).

Autor: Laura Esquivel
Editora: Martins Fontes
Número de páginas: 205
Ano de publicação:  2006

É uma leitura leve, rápida, mas, eu não curto dramalhões, por isso não gostei o tanto que andam dizendo por ai.

Beijinhos

Criatura da área de exatas que ama ler e estudar além de esconder-se na bolha. Típico né? Apenas buscando um lugar discreto e elegante ao sol. Programadora web, leitora compulsiva, ama o belo e exótico, apreciadora de uma boa música.