Literatura

Filha da Fortuna, de Isabel Allende

E lá venho com mais um da série dos atrasados, pertencente ao Desafio Literário do mês de…. /o maio! É, pois é… A leitura agora está também ficando atrasada, alguns hábitos precisam ser modificados, o fato de não pegar mais ônibus é ótimo, mas, tenho começado a pouco a ler por um período no dia, muito curto ainda, mas, tem que ser suficiente. Pra tudo dá-se um jeito!

Agora, ao que interessa: o livro.

O Desafio do mês foi “fatos históricos”, e não fazia a menor ideia do que escolher, porém, quando montei a lista, encontrei essa sugestão, e dentre tantas outras, Isabel Allende acabou ganhando no último minuto, afinal, já estou me acostumando com sua escrita (Paula, Eva Luna, Afrodite… e louca pra ler Casa dos Espíritos).

Filha da Fortuna é diferente do que já li da autora, não tem o lado cômico, ficou um relato, e ao início, achei uma história um tantinho confusa e, depois, parecida com tantas outras. Foi por isso que demorei a me interessar, cheguei a ter dúvidas se havia sido a escolha certa e se realmente teria algum fato histórico no meio do enredo. Ufa. Quando chegou a hora já nem me lembrava mais de porques, apenas seguia a leitura, já começando a pegar interesse pela história, mas, confesso, que a imagem de pessoas se expremendo no interior de um navio, rumando por uns três meses para a Califórnia, a procura de ouro, não me motivou muito. Revés contornado, parte histórica realmente engrenando, e pano de fundo finalmente montado, histórias começando a se encaixar, posso dizer, valeu a pena saber como, quando, quais interesses, e melhor ainda de como a Califórnia chegou ao que conhecemos hoje, desde pontes, aos bairros isolados, separados por seus costumes e país de origem. Desse episódio, eu só me lembrava de Pica pau, procurando uma pepita de ouro, em uma de suas fases bem loucas.

A história passa-se em idos de 1848, quando há o bum da descoberta do ouro na Califórnia, e no Chile chegam histórias fantásticas de que tem enormes pedras douradas conforme anda-se pela costa. Elisa, nossa mocinha apaixona-se, e adivinha o que acontece?! Seu amado tomado pela febre do ouro parte em busca da riqueza fácil. Alguns meses depois, e com alguns sintomas Elisa decide-se ir como clandestina atrás de seu amado. Deixando tudo para trás.

É estranho pensar, que para chegar logo ali (América do Norte), levavam três meses, e pastavam muito no meio do trajeto, alguns não suportavam a viagem ficando pelo caminho. Estranho imaginar um carta percorrendo de mão em mão até chegar ao seu destino, sendo notável o seu ‘manuseio’. É interessante notar o quanto não percebemos as mágicas do dia a dia, e o quanto eu seria incapaz de viver a cem, duzentos anos, sem todos os recursos de hoje. Será assim daqui a cem anos?

Aos destaques, puxei para a vaidade e a educação submissa a qual as moças passavam. Isabel Allende sempre pega muito nesse ponto. A mulher pode ser bela, delicada, mas não precisa ser burra.

“Cuidava da sua aparência com água de rosas e com limão para aclarar a pele, mel de hamamélis para a suavizar, camomila para dar brilho ao cabelo e uma coleção de bálsamos exóticos e de loções trazidas pelo seu irmão John do Extremo Oriente, onde viviam as mulheres mais bonitas do universo, segundo dizia.”

“Os verdadeiros terremotos, esses que punham o mundo de cabeça para baixo, aconteciam mais ou menos de seis em seis anos e em casa oportunidade ela demonstrou um sangue frio admirável, mas o trepidar diário que sacudia a vida punha-a de péssimo humor.”

“Precisamente. Miss Rose dizia que para dominar um homem era necessário habituá-lo a viver  bem e quem, quando ele se portasse mal, o castigo consistia em suprimir os mimos.”

Nota 4 (1 – 5) .

Autor: Isabel Allende
Título: Filha da Fortuna
Número de páginas: 476
Ano de publicação: 1999

Beijinhos

Criatura da área de exatas que ama ler e estudar além de esconder-se na bolha. Típico né? Apenas buscando um lugar discreto e elegante ao sol. Programadora web, leitora compulsiva, ama o belo e exótico, apreciadora de uma boa música.