Literatura

O caso dos 10 negrinhos, de Agatha Christie

Esse livro entrou em minha lista por sugestão do Desafio Literário de Março, porém, logo tirei-o da lista. A proposta do mês era Serial Killer, e o Caso dos Dez Negrinhos não corresponde, assassinato em massa é outra história. Bem, depois, a exceção foi aberta e assim li sem problemas. Faria a leitura de qualquer jeito mesmo, afinal, entra para o Projeto Agatha, e, falar a verdade, não preciso de desculpas para ler Agatha Christie, preciso de tempo.

A história começa juntando as vítimas, digo, os personagens para um final de semana em uma ilha, afastada da costa, isolada e tudo mais. A pessoas não se conheciam entre si, e mal conheciam quem as convidou, cada qual recebeu um convite personalizado. Claro, após desembarcarem na ilha, começa uma tempestade (clichê?) e, puxa, ficam isolados, sem comunicação com o continente. Caraca. Até nisso o assassino é bom hein? Acertou na previsão do tempo. Enfim, acho que após uma certa quantidade de “Agathas” lidas, você começa a perceber o-roteiro-que-deu-certo-que-ela-sempre-usa, as histórias acabam sempre sendo bem parecidas. O suspense que fica entre os participantes é bem interessante. A parte gostosa da leitura é tentar ficar adivinhando quem é o tal e ai, puxa, demora viu.

Durante a leitura, acabei pesquisando um pouco mais, e acabei notando que algumas edições vem com um super spoiler no título: E não sobrou nenhum. Eu não podia deixar de me vingar nessa! Sinto muito. 🙂

“Vera postou-se diante da lareira e leu-o. Era a velha historieta infantil em versos, que lhe fez lembrar os seus tempos de criança:

Dez negrinhos vão jantar enquanto não chove;
Um deles se engasgou e então ficaram nove.

Nove negrinhos sem dormir: não é biscoito!
Um deles cai no sono, e então ficaram oito.

Oito negrinhos vão a Devon de charrete;
Um não quis mais voltar, e então ficaram sete.

Sete negrinhos vão rachar lenha, mas eis
Que um deles se corta, e então ficaram seis.

Seis negrinhos de uma colmeia fazem brinco;
A um pica uma abelha, e então ficaram cinco.

Cinco negrinhos no foro, a tomar os ares;
Um ali foi julgado, e então ficaram dois pares.

Quatro negrinhos no mar;  a um tragou de vez
O arenque foi defumado, e então ficaram três.

Três negrinhos passeando no Zôo.
E depois? O urso abraçou um, e então ficaram dois.

Dois negrinhos brincando ao sol, sem medo algum;
Um deles se queimou, e então ficou só um.

Um negrinho aqui está a sós, apenas um;
Ele então se enforcou, e não ficou nenhum.

Vera sorriu. Claro! Estavam na Ilha do Negro! Foi de novo sentar-se à janela, olhando o mar. Como era grande o mar! Daqui não se via terra em parte alguma – apenas a vastidão do azul das ondas refulgindo ao sol poente.”

“Se eu fosse cometer um ou mais assassínios, seria unicamente pelo proveito que isso me pudesse trazer. Esse tipo de execução em massa não é a minha especialidade.”

na época em que li, aconteceu de o filhote pedir uma ajudinha na tarefa de casa, e quando começo a leitura de um poema de Pedro Bandeira:

Os Sete Gatinhos

Bete tem sete gatinhos.
Um foi tomar leite, ficaram seis.
Bete tem seis gatinhos.
Um fugiu do cão, ficaram cinco.
Bete tem cinco gatinhos.
Um foi pegar o rato, ficaram quatro.
Bete tem quatro gatinhos.
Um foi foi comer mingau, ficaram três.
Bete tem três gatinhos.
Um foi para o cinema, ficaram dois.
Bete tem dois gatinhos.
Um foi tomar banho, ficou só um.

Bete tem um gatinho,
tem um gatinho só,
bete vai dar com carinho pra ele o nome Filó.
Filó é fofo e dengoso,
gostoso de se agradar.
nem adianta pedir,
esse ninguém vai levar.
(Pedro Bandeira, In: Por enquanto eu sou pequeno. São Paulo, 2003)

É, vai dizer que não lembra nada?!

Apenas para concluir, se curte Agatha, é leitura obrigatória, é uma das melhores histórias, tensa, de deixar qualquer um com a pulga atrás da orelha, e deixar sem dormir para terminar logo a história.

Nota 5 (1 – 5) .

Autor: Agatha Christie
Título: O Caso dos Dez Negrinhos
Número de páginas: 201
Ano de publicação: 1991

Beijinhos

Criatura da área de exatas que ama ler e estudar além de esconder-se na bolha. Típico né? Apenas buscando um lugar discreto e elegante ao sol. Programadora web, leitora compulsiva, ama o belo e exótico, apreciadora de uma boa música.